Chernobyl: vida selvagem está de volta após desastre radioativo

Três décadas após acidente na Usina Nuclear, fauna nativa volta a habitar a região. Uma das hipóteses para este renascimento é a ausência da atividade humana no local

São Paulo, SP (DINO) 8/1/2019

"As pressões geradas pelas atividades humanas podem ser mais negativas para a vida selvagem do que um acidente nuclear", diz Germán Orizaola

Uma explosão durante um teste técnico no reator número quatro da Usina Nuclear de Chernobyl (antiga União Soviética, atual Ucrânia na divisa com a Bielorrússia) foi a gênese da maior tragédia radioativa de todos os tempos - a radiação emitida neste episódio foi 400 vezes maior que a liberada pela bomba atômica de Hiroshima (Japão), em 1945.

Depois do dia 26 de abril de 1986, data do acidente, o trabalho de descontaminação isolou um perímetro de 30 quilômetros e evacuou mais de 350 mil moradores da região. Essas pessoas nunca mais voltaram e, até hoje, o local apresenta severas restrições à presença humana permanente.

No entanto, a vida selvagem parece estar apta a habitar o que hoje é uma reserva ambiental. Após um forte impacto inicial da radioatividade, a floresta de pinheiros que circundava a planta nuclear foi dizimada e suas folhas de árvores mortas assumiram a tonalidade vermelha, cor que hoje batiza a mata nativa. Nos últimos anos, a vida renasceu por lá.

A RETOMADA DA VIDA SELVAGEM EM CHERNOBYL

À época do desastre da Usina Nuclear, poucos animais sobreviveram aos altos níveis de radiação. Agora, mais de três décadas depois, diversas espécies voltaram a seu habitat. Um conjunto de estudos de 30 pesquisadores europeus indica que a zona de exclusão de Chernobyl hoje abriga ursos marrons, bisontes, lobos, linces, cavalos selvagens e mais de 200 espécies de aves, entre outros animais.

"Esses estudos mostraram que atualmente a área abriga grande biodiversidade. Além disso, eles confirmaram a falta geral de grandes efeitos negativos dos níveis atuais de radiação nas populações de animais e plantas que vivem em Chernobyl", afirma Germán Orizaola, da Universidade de Oviedo (Espanha), em artigo. O projeto TREE (TRansfer-Exposure-Effects) registra uma série de fotos da vasta fauna concentrada na zona de exclusão.

Para Orizaola, isso demonstra duas hipóteses: que a vida selvagem pode ser muito mais resistente à radiação do que se pensava ou que exemplares da fauna deram respostas adaptativas mais rápidas do que o esperado. Um exemplo de resposta adaptativa, indica o pesquisador, é o caso das rãs: as que vivem dentro da zona de exclusão são mais escuras que as rãs que vivem fora, o que representa uma possível ação contra a radiação.

Embora as populações de diferentes espécies estejam crescendo, os biólogos reconhecem que ainda assim há forte presença de mutações genéticas entre os animais. Tais mutações são até dez vezes mais altas que a média de aves e mamíferos mundial.

"A maioria dos animais morre durante os primeiros meses de vida e os que atingem a idade adulta não vivem muitos anos", revelou James Beasley, biólogo da Universidade da Georgia (EUA), ao jornal português Diário de Notícias.

AUSÊNCIA HUMANA COMO FATOR DE VIDA SELVAGEM

Embora Chernobyl seja considerado um laboratório de excelência para o estudo de processos evolutivos e receba, via turismo, mais de 70 mil visitantes por ano, a região está praticamente livre da presença de humanos. E este pode ser o fator determinante para o renascimento da vida selvagem.

"[Esta terceira hipótese] sugere que as pressões geradas pelas atividades humanas seriam mais negativas para a vida selvagem, em particular grandes mamíferos, no médio prazo do que um acidente nuclear", relata Orizaola.

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